É suave, leve,
agradável, entregar as lembranças adquiridas para cada um. Nesta época do ano,
tomados da emoção natalina, usa-se vestir uma criança de creche, doam-se para
os asilos, compram-se lembranças para os meninos pobres! E os outros dias,
quando na mesa não há para estes, nem o pão nosso de cada dia, vidas sem luz !!!
E tanta luz pelas vitrines e pelas cidades !!!
Como expectadora,
passando pela linda Avenida Paulista, bela e poderosa, consigo ver, deitado em
frente, bem na porta central do Banco do Brasil, um pobre dormindo, vestido em
seus trapos e sem nada mais que pudesse possuir e chamar de seu... Ali,
justamente o retrato da pobreza e a imagem da riqueza. Os que passavam,
nem um olhar. Nem desprezo, nem raiva, a ignorância total. Estão acostumados, é
a rotina da cidade grande. Entretanto, meu olhar imprimiu em meu coração a
imagem daquele homem. Então como libertação, compus o poema “Cidade Grande” uma
espécie de expiação, para gravar o meu sentimento. Espero ainda mais nessa
época natalina, que minhas retinas não tenham o desgosto de registrar situações
semelhantes e que deveras agridem o nosso coração. Abaixo transcrevo o que
consegui captar daquela cena e transformar em versos. Boas compras, felizes
dias e Boa Leitura.
Ao lado foto de um dos meus trabalhos, óleo sobre eucatex "CIDADE ANTIGA, CIDADE NOVA E A PRAÇA AO MEIO COMO ELO DE LIGAÇÃO"
CIDADE GRANDE
SP. 31.-5.2001
É
um corpo que cai,
É
um ser que despenca!...
Na
calçada, onde jaz.
Transeuntes que passam,
Largos
passos, têm pressa
Seus
olhares desviam,
Sem
olhar para traz.
Nas fachadas, tão perto,
De
janelas cerradas,
Como punhos fechados,
A
cidade se esconde !!!...
Por
detrás de altos muros,
Já não vê, nem pressente,
Já
não ouve nem sente,
Nas
calçadas de pedra.
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